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O melhor da turma 7 dezembro, 2009

Posted by Fábio Ricardo in fábio ricardo, vingança.
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Paulinho era o melhor aluno da classe. Tirava as melhores notas, estava sempre em primeiro lugar. Outros alunos também eram inteligentes, como Fred, mas Paulinho sempre se destacava, era o xodó dos professores.

Paulinho também era o terror das menininhas. Ele era alto, moreno, tinha um par de olhos verdes que encantava qualquer uma. Conquistava a menina que quisesse, mas era um verdadeiro gentleman. Está bem, ele não era o único garoto bonito da faculdade. Fred, por exemplo, também não era de se jogar fora.

Fred também jogava futebol bem. Mas Paulinho era melhor. Ele fez três gols na final do campeonato, em que seu time venceu por 4 a 0. O outro gol foi do Fred, mas ninguém lembrou disso. Paulinho também venceu o campeonato de vôlei, com uma cortada matadora no último ponto. Quem levantou a bola para ele foi Fred, mas quem se lembra dos levantadores?

Paulinho era o melhor em tudo que fazia. Ninguém era tão bom quanto ele em nada! Era realmente um garoto prodígio.

No dia do aniversário de Fred, sua mãe ligou a TV e estava passando, no canal da universidade, a final das olimpíadas nacionais de matemática. Fred queria muito participar, mas apenas um competidor podia representar cada faculdade, e Paulinho foi o escolhido. Paulinho venceu o torneio e saiu carregado nas costas. Todos os parentes e amigos de Fred, em sua festa de aniversário, comemoraram e abençoaram o vencedor.

Fred se trancou no quarto e chorou até anoitecer.

Assim que o sol nasceu, encontraram o corpo de Paulinho caído no chão de seu quarto, já sem vida, com três facadas nas costas. A perícia disse que ele abrira a porta de casa para seu assassino.

No ano seguinte, mais ninguém lembrava de Paulinho. Afinal de contas, Fred acabava de vencer o campeonato de vôlei, com uma cortada matadora no final do jogo. Está certo que quem levantou a bola na medida para ele foi o Léo, mas ninguém se lembra dos levantadores.

Uma semana antes, ele havia feito dois dos 3 gols de seu time na final do campeonato. O terceiro gol e os dois passes foram feitos por Léo, mas ele foi substituído antes do final do jogo, e nem participou da comemoração. Aquele ano, Fred beijou todas as meninas, tirou as melhores notas e foi eleito o melhor da turma.

Ele também realizou seu maior sonho, participar das olimpíadas nacionais de matemática. Aquele ano, as olimpíadas não foram realizadas em Agosto, como sempre o eram. Elas foram realizadas em Setembro, exatamente no dia do aniversário de Léo.

Na manhã seguinte, o corpo de Fred foi encontrado já sem vida no chão de seu quarto, com a faca ainda presa às suas costas. A perícia disse que ele havia aberto a porta da casa para seu assassino.

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Clarice 6 dezembro, 2009

Posted by Marina Melz in marina melz, vingança.
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A entrada do lugar tinha um cheiro bom e nem parecia que era mesmo aquilo. Clarice estava decidida e, mesmo que fedesse, ela entraria. Só pensava em vingança, afinal de contas. Cachorro filho de uma puta. Não sabia ao certo como se vingar, mas só o cheiro doce da sordidez já parecia antecipar que a vingança viria. Antes de sair de casa, deu uma última olhada para tudo, como se soubesse que depois que ela voltasse as coisas não seria mais vistas daquela forma. Em cima da mesa, ao lado do sofá, o copo de conhaque com restos derretidos de gelo tinha as bordas molhadas e parecia chorar. E agora ela entrava. A vingança estava chegando, e ela parecia saber, mas não sabia.

Sentou-se. Antes de qualquer coisa, queria ver. Ver para crer. Viver para crer. A aliança ali, no dedo esquerdo. Guardou por um puritanismo insensato. Naquele lugar de cheiro doce, as argolas que se tinha nas mãos eram mesmo só argolas sem valor algum. O show já tinha começado e uma mulher solitária chamava a atenção. Não só por ser mulher, mas sim por ser solitária. A mesa era num canto meio escuro e logo os locais vizinhos foram tomados por engravatados, lésbicas e provavelmente casados querendo esconder os rostos – quem deve, teme.

Uma peruca loira, com uma máscara pequena veio servir mais uma dose de conhaque barato e Clarice começou a passar realmente mal. Presságios sempre foram presentes na sua vida.

As luzes se apagaram e o show de repente começou. Era ela ali, dançando com a bunda de fora. Os xis na conta de conhaque de Clarice aumentaram numa velocidade quase insuportável. Era doído demais, severo demais, angustiante demais e ela queria mais, mesmo que demais. Discretamente, chamou moça da máscara que chamou a moça morena que ela sabia que se chamava Alice. Ela sentou com olhar provocante e Clarice pediu se elas podiam ir para o quarto.

Alice era realmente linda, e não importava se ela se chamava mesmo assim. Clarice começou a se sentir excitada só em olhar para as coxas perfeitas caminhando em direção ao quarto. Teve a estranha sensação de ter visto um alívio nos olhos de Alice quando viu que era só ela, uma mulher, que estava a seguindo. A vingança chegava quase como a sensação de que um orgasmo vem: um formigueiro que começa no centro do corpo.

Assim que fechou a porta, Alice tirou a roupa e Clarice a interrompeu. Assustada, pediu que Clarice fechasse seu sutiã e ela pode sentir que mesmo o suor que molhava a pele perto da nuca tinha um saboroso cheiro de prazer. Respirou fundo para que aquele cheiro preenchesse seu pulmão.

Colocou as duas mãos sobre os peitos vestidos de Alice e ela esfregou as costas sobre os peitos de Clarice. Desceu as mãos, sentiu as costelas magras, a barriga levemente saliente que dava a Alice um insuportável ar de mulher normal, mesmo que perfeita. Parou e pediu que ela deitasse. Sutilmente, claro. Como só duas mulheres conseguem ser.

A arma que estava na bolsa, ou o canivete escondido no sutiã podiam fazer seu efeito naquela hora. Alice estava sentada e, desgraçada, parecia mesmo estar sentindo prazer pelo prazer que viria. De repente, Clarice se pegou pensando se ela não estaria realmente gostando. Na dúvida do que fazer, tirou a roupa e acendeu um cigarro, enquanto acariciava a parte interna da coxa de Alice com a ponta dos dedos e sentia arrepiar a pele sedosa. O silêncio que poderia ser ameaçador era só mais um elemento a preencher o ar. A libido podia quase ser tocada com as palmas das mãos.

Como num impulso e olhando nos olhos de Alice, Clarice lhe tirou a fina calcinha que cobria os poucos pêlos. Alice se assustou, mas sua cara foi irremediavelmente de prazer e Clarice teve certeza do que faria.

Alice gozou sem nem que Clarice precisasse entrar nela. Clarice apenas viu, apenas gargalhou (e pensou na falta de habilidade dele que nem devia tê-la feito gozar), beijou Alice na boca e quando sentiu que o corpo de dela se dirigia ao dela como se pedisse para ser dominado, levantou e vestiu a roupa, jogou algum dinheiro na cama e teve certeza: o prazer é sempre a melhor vingança.

Retorno em vermelho e azul 6 dezembro, 2009

Posted by Rodrigo Oliveira in vingança.
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Azul e vermelho. Azul e vermelho. Azul e vermelho. As cores se intercalavam na paisagem vista através do vidro fechado. O barulho, já nem ouvia mais. Lembrava a última vez que vira a paisagem naquelas cores, através daquele vidro. Já não sentia ódio — há algum tempo não sentia — estava como que adormecido. Havia algo no peito, no entanto, que pesava. Não identificou em princípio. Há muito não o sentia. Há anos. E lembrou da última vez. Também estava lá, apertando o peito, apesar de tudo. E lembrou-se. E sentiu, como não poderia deixar de ser, inevitável e fatídica, saudade.

O carro alugado em um quase desmanche do subúrbio não era o mais discreto. Não importava muito. Era um carro velho, barato e desconhecido. Provavelmente nem se importariam muito com alguma avaria. Até com a falta, vai saber. Olhou no retrovisor sem reflexo. Só um borrão manchado no espelho velho. Um espectro que dava apenas para imaginar onde ficariam os olhos bem mais enrugados do que há anos, uma barba não muito bem feita. Ao menos a roupa não estava tão mal. Era, na verdade, a melhor roupa que usava desde muito tempo. Desde vários anos. A sensação de usar uma roupa que não fosse igual a de todos os outros lhe causava um certo prazer desfrutado em silêncio, numa íntima satisfação de um agradável segredo. Olhou o relógio que já lhe incomodava o pulso — tanto tempo sem usá-lo! — conferiu as horas sem se importar muito, não tinha muito mais que o fazer. Ficari ali pelo tempo que fosse necessário, como havia feito nos últimos dias. A casinha azulada do lado de fora do carro era simples, mas bonitinha. Ou ela teria adquirido algum bom gosto, afinal, ou o marido que escolhera. A segunda opção, provavelmente. Ela deveria ter simplesmente ido morar com o coitado. Demorou algum tempo, mas eventualmente teriam de terminar. O rapaz havia entrado há já quase uma hora. Finalmente, a porta da frente se abriu e fechou-se em seguida, rapidamente, tempo apenas suficiente para deixar sair apressado um rapaz — surpreendentemente novo, por certo apenas alguns anos mais velho que ela — que logo se pôs em marcha apressada e distraída rua abaixo, ainda acertando a camisa por dentro do cós da calça. Saiu feliz, leve, como das outras vezes. Irritantemente leve.

O motor fez o capô trepidar, assustando apenas uns poucos pássaros na árvore ao lado que projetava uma sombra vasta na rua vazia de subúrbio. Colocou o carro em marcha e acelerou suavemente, medindo a distância. O carro foi ganhando velocidade devagar, sem despertar muito a atenção. Chegando aos setenta quilômetros por hora estabilizou o ponteiro tremulante do velocímetro. O pneu deu um solavanco quando acertou o meio fio, arremessando o carro alguns centímetros para o alto. O som assustou o rapaz, mas ele nem teve tempo de se virar. Antes que pudesse terminar o movimento, um farol arredondado lhe entrava pelas costelas enquanto um para-choque de metal lhe separava o joelho. Rolou por sobre o capô até atingir a coluna do para-brisas, no instante em que o carro fazia a curva para retornar à rua, deixando a calçada. Foi arremessado por sobre a cerca baixa de uma das casas próximas, indo aterrissar atrás das plantas do quintal. Só seria descoberto, provavelmente no outro dia, coberto de sereno e sujo de grama, um pé pra cá outro pra lá, numa posição de boneco de pano estropiado. O carro seguiu a rua e dobrou à direita na primeira quadra. Parou no outro lado em frente a uma entrada de garagem abandonada, sem um farol e com o para-brisas trincado. A chave, na ignição; a porta apenas encostada.

Azul e vermelho. Azul e vermelho. Azul e vermelho. A praça, trocando de cor, fez com que lembrasse do pobre do marido. Provavelmente pela estátua careca e de óculos entre as hortências. Careca tingida pela luz vermelha.

Nem lembrava muito bem como, mas ela estava de roupão — ou era um hobby não tão fino — azul. Os cabelos estavam molhados e cheirosos. Já não cheiravam ao rapaz, àquelas horas atirado num quintal vizinho. Nem ao marido, certamente. Nem a ele. A infeliz e irremediável certeza: há muito tempo não cheiravam a ele. Ela tinha a boca vermelha. Não era batom; não, não era. Era um corte no lábio inferior. Não no nariz, dessa vez, mas no carnudo, vermelho, lábio inferior, que ela deixava meio pendente da boca entreaberta de dentes pequenos. Ah, como ele lembrava daquele sorriso de dentes pequenos e boca vermelha! O sangue o fez lembrar da última vez em que beijou aqueles lábios. Ainda tinham sangue quando treparam no chão da cozinha da casa que já não era dele, naquela vida que já não era dele. Ela não sorria, agora, mas tinha nos olhos aquela mesma doçura quente, encolhida próxima à cabeceira da cama. O roupão deixava escapar uma perna bonita e bem depilada. Devia ter se preparado à espera do rapaz. Subiu os olhos pelas pernas imaginando o que mais aquele roupão escondia que ela havia preparado para o rapaz jogado num quintal próximo, casas abaixo. Semiaberta, a vestimenta revelava o arredondar dos seios já mais crescidos. O pescoço já não mantinha toda a vida da juventude, nem o rosto, ainda bonito, mas já aparentando uma mulher. Não era mais uma adolescente. Mas quando ela esboçou um pequeno sorriso, foi como se a mesma menina ressurgisse daquele ar jovial, fresco, pronto para ser colhido doce, úmido e suculento, sumo que escorria na boca e derretia por dentro, com todo o sabor de uma safra de apenas catorze anos. Ah, como ele se lembrava! Aproximava-se da cama devagar, a chave de rodas que trouxera do carro já pendia na mão ao lado do corpo, sem tensão, baixa, praticamente inerte. Perdia aos poucos a força. A determinação. Estava inebriado pelas lembranças e pelo reencontro com aquele corpo jovem e fresco que ele ainda via naquela, jovem, mas já, mulher. Despertou do transe apenas quando a porta se escancarou brusca. O homem careca de camisa polo e óculos abriu a porta. Chegou já raivoso. Com certa surpresa, viu a mulher seminua, coberta apenas pelo roupão, encolhida contra a cabeceira da cama enquanto o homem com a chave de rodas, de pé, ia em sua direção. Não sentia ódio pelo marido. Pena, no máximo. Era um pobre coitado, tinha certeza. Como ele havia sido. Mas não pôde fazer nada. O homem investiu contra ele. Atirou-o contra a parede, nem ligou para a chave de rodas que trouxera. Esta ensandecido. Qualquer um que passasse na rua veria pela janela a cena. Não teve muita opção. Se não fizesse nada o marido o atiraria janela a fora. Ergueu e depois baixou veloz a chave de rodas. Depois de dois golpes o homem estava caído aos seus pés, a careca vertendo sangue, tingindo de vermelho os poucos cabelos que lhe rodeavam. Não era tão velho, deveria ter sua idade, mais ou menos. A careca prematura sujando o chão de vermelho, dando tempo apenas de pronunciar, baixo, contra o chão um nome ou apelido de apenas duas sílabas idênticas. Não pôde suportar ouvir aquele nome saindo dos lábios de outro homem. Baixou mais uma vez a chave de rodas que ficou de pé, presa na careca vermelha. Olhou para a moça na cama sem saber o que dizer. Nos olhos dela, também não conseguia ler nada além de dúvida e curiosidade. E um corpo ofegante sob o roupão azul.

Era manhã, a rua movimentada apenas pelos carros saindo das garagens levando os donos aos trabalhos no centro. Ele já estava parado lá há algum tempo, como das outras vezes. O carro velho sob a árvore, não longe da casa. Não foi tão difícil assim achar a casa. Bastou uma busca na internet para descobrir, em um site de relacionamentos, Sara, a amiga que sempre visitava e ia tomar banho de piscina enquanto ele observava, ouvindo o gelo estalar ao uísque, as adolescentes se divertirem. Na lista de amigos da moça, lá estava ela. O sobrenome era outro, mas era ela, com certeza. Ao lado da foto, alguns dados. E o nome da loja onde trabalhava. Tinha até currículo. Ela não havia estudado muito, mas até que não se deu tão mal. Tinha casado, estava no perfil. Por isso o sobrenome estranho. No mínimo com alguém mais velho, podia apostar. Por volta da sua idade, provavelmente. Ou da idade que tinha quando se despediu dela pela última vez. De todo modo, não era nele que estava interessado. Precisava vê-la de novo. Aproximar-se dela de novo. Acertar as contas com aquele demônio curvilíneo que o mandou ao inferno. Foi à loja e ficou observando a fachada de longe. Viu quando ela saiu. Um pouco mais velha do que lembrava. Bom. Sabia que não poderia com ela se ainda tivesse todo o viço da juventude, esfregando-lhe na cara aquela doçura que o deixava desarmado e de pernas bambas. As roupas, no entanto, eram coloridas e conferiam-lhe algo daquele ar infantil-sensual maldito. Afastou os pensamentos. Pensou em correr até ela naquele mesmo instante e apertar-lhe o pescoço já não tão delicado. Ver-lhe os olhinhos arregalarem-se e aquele sorriso macabro que não lhe saía da memória desaparecer. Mas não poderia. Não suportaria retornar àquele lugar. Nem mesmo por causa dela. Estava agora se acostumando a usar roupas comuns. A ver-se vestido diferente das outras pessoas ao redor. Estava se acostumando a ver o lado externo dos muros, os sons da cidade. Não retornaria jamais. Nem por ela. Seguiu-a, então, a distância, até que ela entrou na casinha azul. Sorriu para si mesmo. Bastava entrar ali e enterrar-lhe a mão no nariz delicado e perfeito, ouvir o rebentar da boca deliciosa e o suspiro cortado pelo estalar de uma traqueia partida. Mas havia o sobrenome. Ele estaria ali, ou para chegar. Teria de esperar. Não hoje. E saiu com o número e a fachada da casa gravados na memória, sabendo que retornaria ali algumas vezes ainda, antes de tomar qualquer porvidência. Era um prato que se comia frio, diziam.

Vermelho e azul. Vermelho e azul. A paisagem ia mudando do lado de fora do carro. Os dois homens no banco da frente em silêncio. Haviam insultado-o o suficiente. Viajavam agora calados. Anoitecia enquanto o carro se destinava para a área mais afastada da cidade, onde se escondia àqueles dos quais se queriam esquecer. Azul e vermelha a estrada passava. Como ele e ela.

Ela, sobre a cama, de azul-roupão sobre o corpo mal coberto. Ele, salpicado de vermelho. Ao chão um homem com uma chave de rodas na cabeça. Nos olhos dela, curiosidade macabra e excitada. Nos dele, dúvida e uma mistura de tesão, ódio, saudade e — sim, por que não? — amor. O corpo dele sobrepujando-se devagar ao dela. Ela, se afastando inutilmente contra a cabeceira da cama, mas com os olhos sempre nos dele. Ele agarrou a gola do roupão e a puxou para si. Ela ficou ali, meio pendurada pelo colarinho. Assustada, ofegante, olhos brilhando, um seio arquejante se denunciando pela abertura do roupão. Maior, mais arredondado, mas ainda firme, tenaz, o mamilo eriçado em rosa. Subindo e descendo, subindo e descendo com a respiração acelerada de hálito doce. Agarrou-lhe com a outra mão o pescoço. Ainda lhe cabia fácil na mão. Pressionou até que ela vertesse aquele hálito que há anos não sentia. Sentiu-o próximo ao rosto. O cheiro atingiu o cérebro como um dardo. Chegou a cambalear e apertou a mão contra o pescoço da moça como para se segurar e não cair. Ela emitiu um leve gemido que o trouxe de volta. E trouxe de volta as lembranças dos gemidos de outrora. Lembrou-se das tardes de antanho quando não estavam a mãe nem a empregada. Puxou-a, pelo pescoço mesmo, para mais perto de si. Hipnotizado. Azul e vermelho. Ele vermelho. Ela azul. A parede azul e vermelha, azul e vermelha, azul e vermelha pela janela aberta ao fim da tarde. Despertou quando percebeu que ela também admirava as cores projetadas nas paredes. Largou-lhe o pescoço, espiou pela janela. As luzes no teto do carro lá embaixo brilhavam azuis e vermelhas. Dois homens saindo do carro, armas nas mãos. Falando com alguém fora da sua visão e se dirigindo à casa. Lembrou dos uniformes. E dos uniformes. E dos dias e meses e anos. Lembrou da última vez. Do gosto do beijo e do sangue. Do olhar quente, do sorriso macabro. E dessa vez nem havia trepado. Há quanto tempo não trepava? Não voltaria. Não assim. Não sem ao menos dar o troco. Arrancou o abajur da tomada e, com um puxão arrancou-lhe o fio. Enrolou uma ponta em cada mão, deixando-o estendido firme. Levantou os olhos e viu os delas, já mais assustados. Foi rápido em sua direção, deu uma volta com o fio no seu pescoço e puxou-lhe para cima, tirando-a praticamente toda da cama, só as pernas penduradas. O roupão já quase todo aberto, os seios roçando-lhe o peito, os lábios em frente aos seus. Seu corpo de homem envelhecido se dividindo entre ódio e prazer. Uma perna depilada levantou-se e tocou-lhe, leve e sem querer, a virilha. A vontade fraquejou-lhe. Afrouxou o fio. Deixou a moça retornar à cama. Voltou à janela, olhou para baixo. Os dois homens uniformizados já junto à porta, forçando a entrada. Olhou para ela, olhou para os homens, para o vermelho e azul brilhando nas paredes. Suspirou abatido. Não podia mais fazer aquilo. Mas não podia, também, voltar. Não suportaria. Amarrou o cordão no parapeito da janela, sentou na beirada e enrolou o fio ao redor do pescoço. Não voltaria por nada. Nem por ela. Ela o olhava com um sorriso macabro. Aquele sorriso macabro de olhos quentes e doces. Passou os dedos de leve no pescoço meio machucado, desceu o dedo seguindo o decote do roupão já aberto, com um ar provocante. Ela levantou o dedo, apontou para corda no pescoço e fez sinal que não. Apontou para o chão para que ele descesse. Ele o fez, tirou o cordão do redor do pescoço, segurando-o nas mãos sem saber o que fazer. Quando a porta se abriu sob o peso da botina, a moça encolheu-se contra a cabeceira da cama, deixando escapar um assustado “Jorge, não!” dos lábios maliciosos. Os dois homens apontaram as armas. Acabaria, afinal, retornando para lá.

Azul e vermelho, azul e vermelho, azul e vermelho. A paisagem já noturna se iluminava colorida enquanto ele, no banco traseiro, as mãos às costas, relembrava. Saindo pela porta do quarto, a moça fechando o roupão, sendo auxiliada pelo outro policial de cacetete rijo pendurado à cintura. Por baixo do roupão imaginava o corpo arrepiado, os bicos dos seios em pé, as lembranças de anos atrás antes que tudo aquilo tivesse acontecido pela primeira vez. Nos olhos, aquele mesmo olhar excitante. Através do vidro do carro em movimento, olhava a paisagem com um só sentimento. Saudade.

Culpa 5 dezembro, 2009

Posted by Rafael Waltrick in rafael waltrick, vingança.
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Duas doses de uisque e três cubos de gelo.

Deveria ser o suficiente pra me fazer dormir. Mas não hoje.

Ainda estou com a gravata e a camisa de linho que usei no julgamento. A gravata aperta meu pescoço, me sufoca. Em silêncio, estirado na poltrona, o único móvel nessa sala úmida, eu relembro cada instante, cada palavra, cada argumentação, até a decisão final do juiz. O gosto amargo ainda está em minha boca e nem o uísque é capaz de amenizar o sabor repulsivo que eu sinto, impregnado em meu corpo.

A uma hora dessas, o verme deve estar festejando, bebendo e fumando erva às custas da impunidade, com seus amigos vindos direto do esgoto dessa cidade nojenta. Eu sei onde eles se escondem, onde se entregam às mais desprezíveis violações, longe dos olhos da dita sociedade moralista. Eu estive lá antes. Eu vi.

O verme não perde por esperar.

*

Astolfo segura o jornal na mão, os olhos concentrados na página em preto e branco. Ele olha para as linhas datilografadas, levanta os olhos para mim, volta a ler. Eu o ignoro, sentado em minha mesa, preenchendo alguns papéis.

“Você viu isso, Mendonza?”, pergunta.

“Eu não leio jornal.”

“Pois devia. Tem uma foto do teu amigo aqui. Feliz da vida. Saiu pela porta da frente. Que merda, hein?”

“Eu estava lá.”

“Ah, sim, imaginei. Você não ia perder nisso por nada desse mundo, né?”

Ele levanta, pega a caneca onde está escrito FLAMENGUISTA NOTA DEZ e passa por mim, dando um tapinha leve em meu ombro esquerdo. Joga o jornal em minha mesa.

“Relaxa. Isso acontece todo dia. A gente faz o que pode. Mas o que adianta se os putos resolvem mostrar que todo mundo é inocente até que se prove o contrário? Inocente é uma ova. Sistema do caralho.”

Astolfo discursa como se isso tudo realmente tivesse importância pra ele. Eu tenho asco de sua voz, de sua cara, embora nós dois tenhamos sido parceiros por quase dez anos. Ele está quase se aposentando e nada disso mais importa. Ninguém aqui sabe. Ninguém aqui a viu, naquela manhã, quando eu cheguei na beira do rio. Quando eu fechei seus olhos cheios de desespero com a mão. Ninguém sentiu o cheiro da decomposição vindo de seus braços, suas pernas, seu corpo ainda em formação. Não foram eles que bateram na porta da casa dos pais para dar a notícia.

O dia segue sem alterações até a noite. Cinco minutos antes de eu ir embora, um repórter liga dizendo que está fazendo a “ronda” e pergunta se houve alguma ocorrência de destaque. Eu não me dou ao trabalho de responder.

Malditos abutres.

Dirijo sem rumo por algumas horas, os faróis iluminando a escória nas ruas, ansiando por drogas e sexo barato. Algumas das putas abanam para mim, esperançosas de que eu as leve dali, pelo menos por algumas horas. Mas não hoje.

Antes de ir dormir, eu passo na frente da casa do verme. Estaciono o carro a alguns metros e fico apenas observando. A luz do quarto ainda está acesa. Repouso a mão no coldre debaixo de meu casaco.

Ainda não.

*

Melissa me recebe com um sorriso sincero no rosto e me convida pra entrar. Eu devia ter trazido um presente, como sempre. Ela parece não notar o meu deslize e busca um suco de laranja na geladeira, enquanto eu aguardo sentado no sofá da sala. Eles estão terminando de reformar o apartamento. O rapaz não está. Ela volta com meu suco.

“Que pena. O Bruno acabou de sair. Dias desses ainda estava falando como fazia tempo que não te via, Carlos. Cinco minutos e vocês ainda se topavam por aqui.”

“É uma pena mesmo. Mande um abraço pra ele.”

Eu o vi sair e embarcar na moto, em frente ao prédio. Estava ali, no meu carro, há meia hora. Acho que Melissa sabe que eu sempre faço isso, mas não comenta nada. Ela me conhece.

“Tem falado com a mamãe? Ela esteve aqui anteontem. Me ajudou a escolher umas cores pro quarto.”

“Não. Como estão as coisas na faculdade?”, desconverso.

“Ah, indo né. Só vão me pagar bem mesmo a hora que eu terminar a pós. Enquanto isso, vou praticamente pagando pra trabalhar. Mas, é o jeito. Logo as coisas se arrumam. O Bruno foi promovido na concessionária, te contei?”

“Sim.”

Eu fico ali mais dez minutos, até o suco acabar, conversando amenidades. Melissa está bela como sempre, os fios de cabelo caindo sobre os ombros, pretos como os que eu tinha antigamente. Me despeço, com a promessa de que marcaremos um jantar com seu noivo.

Às vezes, eu gostaria que ela me chamasse de pai.

*

Normalmente, nos dias de folga eu vou ao cinema ou passo o dia com alguma puta no quarto que eu alugo próximo ao porto. Mas hoje eu passo as horas em casa, na frente da televisão, apenas trocando de canal, com o som mudo. Penso em Carina. A pequena Carina.

Dentro de alguns dias, os jornais sequer se lembrarão que ela existiu. Na época, foi um circo, como sempre. Agora, ela já está enterrada, e seu assassino, ainda à solta. Mas você tentou, menina. Você tentou. Deu algum trabalho pra ele, enquanto o verme a levava barranco abaixo, no meio dos arbustos. Aposto que gritou e bateu nele, com todas as suas forças, antes que ele a silenciasse com a mãe, rasgasse seu vestidinho vermelho e branco e a violentasse. Você sequer deve ter entendido o que ele estava fazendo. Tão inocente.

Eu sei que tentou, pequena. Eu sei.

Adormeço e, no sonho, seguro ela em meus braços. Ela sorri e se aninha em meu colo, segura, livre de qualquer mal.   

*

A rotina na casa dos pais de Carina parece ter voltado ao normal, embora a dor ainda seja visível no rosto de sua mãe. Ela se levanta todo dia às seis e meia da manhã e fica sentada na cozinha por meia hora, sem comer nada, falar nada, fazer nada. Fica apenas ali, sentada. Aguardando o marido sair da cama para tomar café e ir trabalhar. Eu sei no que ela pensa.

A vontade que eu tenho é de sair do carro, bater na porta e sentar ao lado dela. Não iria dizer nada. Apenas acompanhá-la. Compartilhar sua dor. A dor que eu também sinto, desde que abro os meus olhos pela manhã, a cada minuto do dia. A cada vez que eu passo em frente à casa do verme. Se ela pudesse ver o que eu vejo, a satisfação presente no rosto do verme, a sua liberdade desmedida ao andar pela rua, sem pudor algum… Tenho certeza que ela me pediria pra fazer o que é o certo. Sim. Eu não preciso que ela me peça.

Eu sei no que ela pensa.

*

Lobo me chama na sua sala logo pela manhã, quando me vê entrar na DP.

“Senta aí, Mendonza.”, diz ele, apontando para a cadeira em frente à sua mesa. Eu me sento e cruzo os braços. Ela acende ainda um cigarro antes de olhar pra mim e se sentar também. Pela expressão no seu rosto, imagino qual será o tom da conversa.

“O que você faz fora dessa delegacia não é do interesse meu. Nem podia ser.”, começa. “Mas a partir do momento em que você se põe em risco e me compromete também, sou obrigado a intervir. Você sabe do que eu estou falando, não?”

Eu fico calado. A fumaça do cigarro sai por meio de baforadas apressadas dos dentes amarelados dele.

“Todo mundo aqui ficou puto com o resultado do julgamento daquele escroto. Mas nós dois, eu e você, Mendonza, já temos anos e anos de casa, e sabemos que é assim mesmo. Nós prendemos, a justiça manda soltar. Nós esfregamos as provas nas caras deles, eles dizem que elas são ‘inconsistentes’. Paciência. Eu não gosto disso. Sei que você também não. Mas o nosso trabalho termina aqui. Ou até que o dito inocente faça outra cagada e nos obrigue a provar que os fudidos dos juízes estavam errados mesmo. Mas, enquanto isso, o que podemos fazer é aceitar o que esses putos decidiram e deixar que os promotores ou quem quer que seja tentem convencê-los do contrário.”

Apenas concordo com a cabeça. Lobo olha pra mim com impaciência, como se esperasse que eu discutisse ou irrompesse em um ataque de fúria contra a injustiça cometida fora daqui. Minha indiferença o deixa mais nervoso ainda.

“Você é um dos melhores investigadores que eu tenho aqui nessa bagaça. Tem os seus problemas, mas quem não tem? Eu só não posso deixar que você continue com essa merda. Aparecendo todo santo dia na porra da casa do cara, de manhã, de noite, a hora que seja. E, além do mais, nem fazendo questão que ele não te veja! Que merda é essa?”

“Estou fazendo o meu trabalho, doutor.”

“O teu trabalho? Você tá louco, é isso? O teu trabalho é aqui dentro. E você não tem mais nada a ver com aquele puto. Se decidiram soltar o cara, não é problema nosso.”

“Ele é culpado. O senhor sabe disso. Ele vai fazer de novo. Eu sei que vai.”

Lobo abaixa a cabeça e passa as mãos pelo cabelo ralo. Respira fundo. O cigarro está no fim, quase queimando seus dedos, mas ele não nota.

“Escuta aqui, Mendonza. Eu sei que foi uma puta injustiça com a guria, com o teu trabalho. Mas você é um profissional. Não pode se envolver assim. Porra, eu nem precisava tá te falando isso! Que merda! O advogado dele me ligou ontem aqui dizendo que vai meter um processo contra a gente porque um policial está coagindo o cliente dele. Isso sem dizer nas outras merdas que eles já tinham engatilhado, danos morais, essas coisas todas. Agora, o cara vai comprar verdura no mercado e tá lá a porra do policial atrás. Vai na farmácia e o cara tá do outro lado da rua. Vai dormir e a merda do carro do policial tá estacionado na esquina! Caralho! Eu te proíbo de chegar perto desse puto, Mendonza! Filho da puta, cigarro do caralho!”

Lobo joga a bituca no chão mesmo, ao lado da mesa. Agita os dedos queimados. Levanta e dá as costas pra mim, olhando pela persiana para o pátio da delegacia.

Volta a me encarar.

“Se você não tá conseguindo lidar com essa situação, eu te dou uns dias de folga e você vai arejar a cabeça longe daqui. Sei lá, vai pra praia, se enfia no teu apartamento, mas se mantém longe daquele puto. Você tem vida própria, deve ter. Eu disse pra aquele advogado de porta de cadeia que ele e nem o cliente dele iam mais se incomodar. Entendeu?”

Eu faço que sim com a cabeça e, antes que ele possa dizer mais algo, me levanto e saio da sala, em silêncio.

*

“Fazia um bom tempo que a gente não se via, hein, querido?”

Rosana cheira a perfume barato, loção de babosa e vodka. Ela se joga no colchão manchado, em cima da cama, e desamarrra o laço que mantém os cabelos castanhos presos sobre a cabeça. A pele negra dela fica à mostra, encoberta apenas por uma mini saia minúscula e uma blusa regata. Pergunta se eu tenho alguma bebida pra oferecer. Eu digo que não.

“E o que você trouxe nessa bolsa aí, meu anjo?”

“Uma coisa pra você usar.”

Ela me encara com curiosidade, as mãos apoiadas no colchão, as pernas abertas, convidativas.

“Adoro quando você faz os seus joguinhos. Vem cá , vem, meu homem, vem. Só de te ver assim, de pé na minha frente, você já me deixa com tesão.”

Rosana senta à beira da cama e abre o zíper da minha calça. Meu pau some dentro de sua boca, enquanto ela usa as mãos para abaixar o jeans. Eu sinto nojo e aversão, mas deixo que ela cumpra seu papel, até que a afasto e faço com que deite na cama. Pego o conteúdo da bolsa e jogo na direção dela.

“Vista isso.”

“Humm… meio pequenas pra mim, não?”

“Vai logo.”

“Tá bom, tá bom.”

Ela veste o pequeno vestido com dificuldade, contrariada.

“Essa calcinha não vai entrar nunca… e não precisa também, né? Pronto. Não sabia que você gostava dessas coisas. Tá bom assim? Você quer que eu fale alguma coisa em especial também? Essa menininha é toda sua, querido.”

Eu tiro a calça e a cueca e avanço sobre ela. Rosana se agarra em mim e geme alto, enquanto eu meto nela. Enlaça as pernas em volta da minha cintura e agarra o meu pescoço.

“Nossa, isso, vai, mete, mete, forte, isso…”

Eu ignoro a voz dela e penso naquela noite, às margens do rio. O delicado vestinho vermelho e branco sendo rasgado, para que a inocência intocada daquela pequena criança fosse violada pelos desejos doentios do verme. Ele a subjuga e deita por cima dela, o membro duro invadindo o corpo de anjo. Ela grita, pede socorro, Rosana grita, chora, mas ninguém a ouve. Ninguém presta ajuda. Ela está sozinha. Sob o controle total do verme, que leva as mãos até o seu pescoço delicado e aperta, esgana, até a deixar sem ar,

Pobre menina. O verme continua a saciar sua vontade, no corpo já sem vida. Instantes depois, ele pega o que restou da criança e a joga no rio, bastante cheio àquela época do ano. Some. Ninguém o vê sair. Volta para casa, crente de que irá permanecer impune.

Mas não vai. Não, pequena, ele não vai.

Saio do apartamento e deixo Rosana para trás. Não me preocupo em trancar a porta. Quando a acharem, não vai importar mais.

*

O verme me vê entrar pelo corredor e eu tenho que disparar um tiro pra impedir que ele corra até os fundos. Eu o atingo na coxa direita e ele se joga de encontro à parede, batendo com a cara na divisória de compensado. Os seus gritos ecoam pela casa, saindo pela janela aberta do quarto. Eu não me preocupo em ser discreto. Agarro seu colarinho e o levo até a cozinha, arrastado. O verme tenta se agarrar aos móveis, em vão. Berra como o porco imundo que sabe que está sendo levado para o abate.

“O que você quer? Me solta, me solta, ME SOOOOOOOOOLTAAAAAA!!!”

“Cala a boca, verme.”

Eu o encosto contra a pia e miro o revólver calibre 32 contra a sua cabeça. Ele chora, virando o rosto para o lado.

“Você achou que ia se dar bem, não é verme?”

“Que merda você tá falando? Escuta, eu sou inocente, não tenho nada a ver com aquela menina… você não pode fazer isso, não pode…”

O sangue salta contra a portinhola branca quando eu o atinjo com o cano da arma na testa. Escuto o som das freadas na frente da casa, as sirenes e os passos apressados. Eles chegaram rápido.

Melhor assim.

“Não me mata, por favor, não, não, não…”

“Tarde demais, verme.”

A porta da entrada é derrubada, atrás de nós. Dois segundos depois, o som do tiro.

Descanse em paz, pequena.

Novo tema 1 dezembro, 2009

Posted by Rafael Waltrick in Temas, vingança.
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1 comment so far

Olá, leitores e duelistas!

Tomo a liberdade de já postar aqui o novo tema. Pode ser um tema meio “batido” ou comum demais, visto os últimos temas mais “alternativos”, por assim dizer. Mas certamente essa premissa já rendeu grandes histórias na literatura e cinema, e acredito que aqui não será diferente.

Enfim. O novo tema é VINGANÇA.

Duelistas devem postar os textos até domingo, dia 6.