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De volta ao trabalho! 11 janeiro, 2010

Posted by Fábio Ricardo in fábio ricardo.
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As férias foram boas e proveitosas (acredito que para todos) mas o “bem bom” chegou ao fim. Hoje é segunda-feira, dia de voltar ao batente.

Por isso, Marina Melz manda logo mais o tema da primeira batalha do Duelo de Escritores de 2010.

Em instantes!

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O melhor da turma 7 dezembro, 2009

Posted by Fábio Ricardo in fábio ricardo, vingança.
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Paulinho era o melhor aluno da classe. Tirava as melhores notas, estava sempre em primeiro lugar. Outros alunos também eram inteligentes, como Fred, mas Paulinho sempre se destacava, era o xodó dos professores.

Paulinho também era o terror das menininhas. Ele era alto, moreno, tinha um par de olhos verdes que encantava qualquer uma. Conquistava a menina que quisesse, mas era um verdadeiro gentleman. Está bem, ele não era o único garoto bonito da faculdade. Fred, por exemplo, também não era de se jogar fora.

Fred também jogava futebol bem. Mas Paulinho era melhor. Ele fez três gols na final do campeonato, em que seu time venceu por 4 a 0. O outro gol foi do Fred, mas ninguém lembrou disso. Paulinho também venceu o campeonato de vôlei, com uma cortada matadora no último ponto. Quem levantou a bola para ele foi Fred, mas quem se lembra dos levantadores?

Paulinho era o melhor em tudo que fazia. Ninguém era tão bom quanto ele em nada! Era realmente um garoto prodígio.

No dia do aniversário de Fred, sua mãe ligou a TV e estava passando, no canal da universidade, a final das olimpíadas nacionais de matemática. Fred queria muito participar, mas apenas um competidor podia representar cada faculdade, e Paulinho foi o escolhido. Paulinho venceu o torneio e saiu carregado nas costas. Todos os parentes e amigos de Fred, em sua festa de aniversário, comemoraram e abençoaram o vencedor.

Fred se trancou no quarto e chorou até anoitecer.

Assim que o sol nasceu, encontraram o corpo de Paulinho caído no chão de seu quarto, já sem vida, com três facadas nas costas. A perícia disse que ele abrira a porta de casa para seu assassino.

No ano seguinte, mais ninguém lembrava de Paulinho. Afinal de contas, Fred acabava de vencer o campeonato de vôlei, com uma cortada matadora no final do jogo. Está certo que quem levantou a bola na medida para ele foi o Léo, mas ninguém se lembra dos levantadores.

Uma semana antes, ele havia feito dois dos 3 gols de seu time na final do campeonato. O terceiro gol e os dois passes foram feitos por Léo, mas ele foi substituído antes do final do jogo, e nem participou da comemoração. Aquele ano, Fred beijou todas as meninas, tirou as melhores notas e foi eleito o melhor da turma.

Ele também realizou seu maior sonho, participar das olimpíadas nacionais de matemática. Aquele ano, as olimpíadas não foram realizadas em Agosto, como sempre o eram. Elas foram realizadas em Setembro, exatamente no dia do aniversário de Léo.

Na manhã seguinte, o corpo de Fred foi encontrado já sem vida no chão de seu quarto, com a faca ainda presa às suas costas. A perícia disse que ele havia aberto a porta da casa para seu assassino.

Simulacro 26 novembro, 2009

Posted by Fábio Ricardo in fábio ricardo, simulacro.
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– Cara, você viu o novo tema do Duelo?
– Não… qual é?
– Simulacro. Tema bom, né?
– Pô, animal cara. Taí um tema que realmente dá pra se aprofundar, escrever um texto bom a respeito.

Quando Rodrigo saiu do quarto, segui sentado na beira da cama, olhando a janela. Uma inquietação me atrapalhava o raciocínio, algo não estava certo. Acabei por ceder e assumir para mim mesmo meu questionamento. Afinal, o que diabos é um simulacro?

Devo admitir, como bom nerd que sou, que a carta de Magic me veio a cabeça. Simulacro… simulacro… devo ter dois. Custa um mana preto e um incolor, transfere todo o dano que recebi neste turno para uma criatura que eu controlo. Isso pode não significar nada para quem não conhece o jogo, mas vejamos… transferir o dano para outro, transferir o dano para outro… ei! Deve ter alguma coisa  a ver com trabalho. É no trabalho que a gente sempre transfere toda a culpa de algo que deu errado e ia explodir em nossa mão, para outra pessoa. De preferência para nossos subordinados… nossas criaturas!

Então o simulacro pode estar falando justamente sobre isso. Colocar a culpa em outra pessoa. Se passar por sabichão, mesmo tendo feito a cagada sozinho, e dar um jeito – sempre damos um jeito – de culpar o estagiário. Certeza que simulacro tem alguma coisa a ver com falsidade. E alguém sempre se ferra na história. Se a carta é preta, é porque é coisa do capeta. Então o simulacro da vida real também deve ser do mal. Afinal de contas, se fosse uma coisa boa, não tinha um nome macabro como esse: simulacro.

Não sei por que, simulacro me lembra um caixão, uma lápide… Simulacro tem alguma coisa a ver com cemitério? Ok, desisto. Vou olhar no Dicionário. Achei o Michaelis:

si.mu.la.cro
s. m. 1. Aparência, imitação. 2. Vã representação, aspecto exterior e enganador. 3. Visão sem realidade; espectro, fantasma.

Aparência, imitação. Hum… er… ok. Simulacro é uma imitação. Nada a ver com cemitérios ou com jogar a culpa em alguém. Saco. Opa, peraí. Olha ali: aspecto exterior e enganador. Rá, eu sabia. Tinha que ter uma pilantragem no meio. E continua lendo ali: espectro, fantasma. Fantasma tem tudo a ver com cemitério. Ou seja, lápide, caixão, aquela coisa toda. Sabia!

O que irrita é que são três significados, e nenhum tem nada a ver com o outro. Aparência, enganação e fantasma. Somando tudo, simulacro é a aparência enganadora de um fantasma. Bonito isso. Tipo festa de dia das bruxas.

Mas resumindo, simulacro é tipo assim: uma coisa que parece ser algo, mas na verdade é uma enganação. Como esse texto, que você jurou que tinha tudo a ver com o tema.


Charles, anjo 13 novembro, 2009

Posted by Fábio Ricardo in Citação, fábio ricardo.
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O irmão de Andy veio passar alguns dias em sua casa. Andy adorava o irmão, também tinha muito apreço pela cunhada. Mas havia um problema. O pequeno Charles. O filho do casal era uma pacata criatura: calmo, comportado e inteligente. Até demais. E esse era o problema. Ele tinha um olhar misterioso que perseguia os olhos de Andy pela casa. Ele era um adorável garoto, orgulho de seus pais.  Nenhuma criança em sua idade poderia ser assim: tão perfeito.

Andy passou a andar ressabiado mesmo dentro de casa. Às vezes, enquanto preparava um lanche qualquer na cozinha, virava-se para apanhar algo e dava de cara com o garoto. Ele estava lá, estático, com um sorriso inocente no rosto olhando para Andy como quem está prestes a dizer alguma coisa. Mas ele nunca dizia nada.

O garoto sempre aparecia sem fazer ruído algum, com o sorriso angelical e os olhos brilhantes. Andy estranhava o fato de nunca ver a criança brincando, além do que as histórias de que ele nunca chorava e de que nunca se machucou ou ficou doente deixavam o menino ainda mais estranho. Algo estava errado. Andy não sabia o motivo, mas fazia o possível para evitar sua companhia, fugia de sua presença sempre que possível. Virou um estranho dentro da própria casa. Não conseguia mais relaxar. Até durante a noite, quando fechava os olhos, tinha a impressão de que Charles estava lá, nas sombras, o observando.

Seu irmão iria fazer um passeio romântico com a esposa e deixou Charles sobre os cuidados de Andy, certo dia. Andy levou o garoto para a frente da televisão e voltou ao quarto. Enquanto se afastava, via aqueles olhos fitando seu caminhar, com aquele sorriso adorável acompanhando cada movimento seu. Apressou o passo. Os batimentos estavam acelerados e o suor começava a escorrer pela têmpora esquerda. Parou no alto da escada e olhou para trás: nada. Tentou ler, não conseguiu. Tentou trabalhar, não conseguiu. Fez de tudo para relaxar e não conseguiu.

Teve a ideia: iria às compras. Enquanto estivesse fazendo compras, o pequeno Charles ficaria aos cuidados das recreadoras do supermercado. Se demorasse o suficiente, quando voltasse já encontraria seu irmão em casa. Seu desconforto já beirava a paranóia. Não conseguia mais relaxar, sempre olhando para os lados e temendo encontrar o sobrinho nos corredores. Foi à sala:

– Charles, vá calçar um tênis que nós vamos fazer compras.

Pegou a chave do carro em cima da estante, colocou a carteira e o celular no bolso e arrumou o cabelo em frente ao espelho. Ao se virar, deu de cara com o pequeno Charles, já sorrindo e pronto para sair. Precisou segurar o grito, preso na garganta. Abriu a porta e acelerou o passo. O garoto o seguia, sorrindo. Trancou a casa, entrou no carro, abriu a porta traseira para o menino e partiu.

Charles ficava sentado, coluna ereta, com o olhar perdido para fora da janela. Andy acompanhava cada movimento do garoto, olhando pelo retrovisor. Num cruzamento, quase bateu o carro, distraído. Desviou do outro veículo, assustado com o som da buzina, e seguiu viagem. Só então reparou a alta velocidade em que se encontrava. Olhou para o retrovisor novamente e o garoto não estava lá. Virou-se, assustado, e perdeu o controle do carro. Atingiu o canteiro central e a última coisa que viu, enquanto o veículo capotava, foi o rosto de Charles, na certeza de que gargalhava.

Haicai 7 novembro, 2009

Posted by Fábio Ricardo in fábio ricardo, Gárgula.
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Gárgula de marfim

coração de pedra

me olha do espelho